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sábado, 8 de outubro de 2011

Audiência Pública sobre o Autismo.

Descrição do convite.

Audiência Pública sobre o Autismo.


Tema: O Estado do Rio de Janeiro precisa conhecer o Autismo.
Local: Plenário Barbosa Lima Sobrinho - ALERJ
Data: 24/10/2011 às 14horas.

Algumas Legislações.

Lei da Acessibilidade.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L10098.htm

Lei nº7.853/89
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7853.htm

Lei de LIBRAS.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10436.htm

Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
http://www.direitoshumanos.gov.br/pessoas-com-deficiencia-1/convencao

Lei nº8.213/91 - Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências 
(Lei da cota de vagas para pessoas com deficiência nas empresas privadas)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8213cons.htm

Lei nº 8.742/93 - Dispõe sobre a organização da Assistência Social e dá outras providências.
(Regulamenta o BPC – Benefício da Prestação Continuada, que garante um salário mínimo para a pessoa com deficiência com incapacidade para a vida independente e para o trabalho)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8742.htm


Em construção...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Para o profissional que quer tornar-se construtivista.

Amigos, tenho o privilégio de ser aluna na UFRJ da professora Carla Verônica autora deste maravilhoso texto que agora compartilho com vocês. Ressalto que este texto foi escrito ainda na graduação da professora Carla Verônica em 1987. Fiquei perplexa com tamanha visão ainda em sua graduação.
Espero que este texto sirva de reflexão para todos nós. Bjs.



PARA O PROFISSIONAL QUE QUER TORNAR-SE CONSTRUTIVISTA.

Nas profissões comprometidas com o desenvolvimento humano, é de fundamental importância que o profissional trabalhe em seu processo de conscientização a partir de sua própria experiência interior. Por quê? Para que? Passamos muito tempo na escola, no trabalho, em casa, aprendendo a reduzir tal consciência, preocupados demais em “como” devíamos nos comportar, esquecendo gradativamente de quem somos, o que pensamos e sentimos e por que agimos desta ou daquela forma. Somos estranhos a nós mesmos e tomamos a vida o mais constante possível, nossos dias iguais. Com uma conscientização de onde se está, com quem se está e o que se está fazendo, surgem opções, maior flexibilidade e, por seguinte, uma adequação mais precisa do comportamento. O professor educado tradicionalmente reproduz, em seus alunos, tal estado de alienação e auto-abandono. Sua relação com a criança é estereotipada, limitada a papéis, padrões e regras. Ora, educação não é isso, pois aprender significa obter os meios para facilitar o desenvolvimento da personalidade da criança e permitir a expressão de suas potencialidades para integrar-se melhor no mundo dos adultos. Apear disso, o ensino continua a dividir a personalidade infantil, negando sua individualidade, sua emoção, seu potencial criador, sua autonomia, valorizando somente o produto intelectual. O professor que toma consciência desta situação não pode continuar a repetir-se, mas mudar implica, antes de tudo, mudar-se, e mudar-se significa descobrir suas dificuldades pessoais e profissionais, reconstruindo-se de maneira diferente, integrada em sua própria prática pedagógica. Para quem inicia tal processo, o desafio se configure no inventar de uma historia, pois somos constituídos de um passado que define nosso modo de ser e compreender a criança num contexto cinzento, onde aprendemos a ser rígidos, a resistir às mudanças, a nos defender todo o tempo e nos atemorizar da possibilidade de uma experiência emocional, da vida corporal, da espontaneidade de nós mesmos e do outro. Assim, quanto mais ameaçado, mais o professor se esconde na repetição e na dependência, e foge do novo, empobrecendo ao máximo a sua prática. O que acontece com a criança? Sofre solitária e inconscientemente, porque está viva e é extremamente sensível. Ainda não enrijeceu e não se fragmentou. Dentro da sala de aula, a verdade é que ninguém se comunica e por isso são todos estranhos. O adulto limita-se ao discurso verbal e fala, fala, fala... Não tem organização da personalidade suficiente para dialogar e refletir sobre si mesmo. Diante de tal quadro, minha opinião é que fica mais fácil para o professor superar as suas dificuldades através das trocas de experiências, profundamente ricas entre pessoas. Através da situação de grupo (grupo de sensibilidade, dinâmica de grupo etc.) pode-se dar inicio ao aparecimento de situações mal resolvidas, das dificuldades inconscientes dos indivíduos em suas relações interpessoais. Começa o processo de conscientização, o reaparecimento do ser integral, da afetividade, das sensações corporais, do imaginário, das fantasias, em situações reais (na família, escola, trabalho etc.) emergentes no grupo. Estes são os instrumentos humanos para o crescimento e equilíbrio pessoal. Isto gera quase sempre muitas resistências e agressividade que podem dirigir-se para qualquer pessoa que represente a mudança, sentida intimamente como uma ameaça. O coordenador das dinâmicas ou trabalhos com o grupo passe a ser o receptáculo de tais emoções porque torna conscientes as defesas, medos e dificuldades do grupo. Ficam claras as tensões de cada um, abrem-se outros níveis de comunicação, questionamento e diálogo. Alarga-se a compreensão da realidade circundante, perceptual. Surgem os verdadeiros motivos do comportamento de cada participante, Por isso tanta resistência. Na verdade, nos tornamos anestesiados para estas experiências e não encontramos um sentido, não entendemos o que acontece à nossa volta, porque durante anos fechamos os olhos, ouvidos e pele para qualquer coisa mais profunda. A sensação durante as vivências de grupo, organizadas numa dinâmica, por exemplo, é a de se estar perdendo tempo, ou sendo infantil, ou ainda fazendo jogos. O que geralmente acontece é que nos tornamos capazes de aceitar nossas emoções, nossos pensamentos, nossa personalidade e a do outro, nos comunicamos, descobrimos que os problemas humanos são comuns a todos, que tudo resulta da dificuldade de estar simplesmente com o outro e de aprender a partir de si mesmo, adquirindo conhecimento sobre si mesmo. É uma nova forma de aprender e compreender as coisas e de compreender a criança, facilitando e descobrindo com ela o seu equilíbrio pessoal. Assim, libertar-se é o destino do professor que deseja e necessita elaborar-se. A Educação Construtivista requer do professor muitas mudanças, não apenas em seus métodos e técnicas, mas antes, em sua maneira de encarar a si mesmo. Sair de sua postura onisciente e poderosa para alguém sensível, consciente, aberto ao diálogo e disposto a ouvir. É importante que ele possa buscar inúmeras oportunidades para resgatar sua capacidade de avaliar mais sensivelmente a realidade, e não apenas repetir-se ou manter sua sensação de controle, mas procurar-se e descobrir-se enquanto um ser integral, tão vivo e livre quanto a criança.


Sobre a autora:

Carla Verônica M. Marques - Neuropsicóloga cognitiva; Artista Plástica; Mestre em Antropologia da Arte. Projeto de Doutorado em Neurociência Computacional-UFRJ. Coordenadora de projetos de Educação do CENTRO DE INFORMAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS UNIC-RIO - ONU. Professora Assistente da Faculdade de Medicina Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal - Disciplina de Psicologia Geral- Curso de Fonoaudiologia - UFRJ. Professora colaboradora do curso de Mestrado em Informática, linha de pesquisa em Informática na Educação e na Sociedade,iNCE- NÚCLEO DE COMPUTAÇÃO ELETRÔNICA - UFRJ. Orientadora científica do Laboratório de Neuropsicologia Cognitiva para crianças deficientes visuais NEUROLAB IBC INSTITUTO BENJAMIM CONSTANT. Coordenadora científica do Projeto de Pesquisa NEUROLOG REDE - iNCE - UFRJ. Neuropsicóloga/Psicopedagoga Chefe de Serviço de Cognição e Linguagem da ABRAPA. Diretora-presidente da ABRAPA- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM. Responsável técnico-científica do LABRINT - Laboratório de Brinquedos Inteligentes ABRAPA Designer de jogos de reabilitação neuropsicológica e de materiais técnicos de avaliação e diagnóstico neuropsicológico/ e psicopedagógico.
Neuropsicologia Cognitiva, Informática, Complexidade,
Neurociência Computacional, Neuropedagogia 
  

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Correio Braziliense - Ciência e Saúde - Novo método de identificar o autismo tem 94% de precisão

Correio Braziliense - Ciência e Saúde - Novo método de identificar o autismo tem 94% de precisão

Deficiência Psicossocial - A Nova Categoria de Deficiência.







DEFICIÊNCIA PSICOSSOCIAL

A Nova Categoria de Deficiência

Romeu Kazumi Sassaki, 2010.
 
Citação bibliográfica
SASSAKI, Romeu Kazumi. Deficiência psicossocial: a nova categoria de deficiência. Fortaleza: Agenda 2011 do Portador de Eficiência, 2010.
 

A deficiência psicossocial ― também chamada “deficiência psiquiátrica” ou “deficiência por saúde mental” ― foi incluída no rol de deficiências pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), adotada na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 13/12/06.
No Artigo 1 (Propósito), a Convenção afirma que “Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas.” Trata-se de uma afirmação e não de uma definição. Se fosse uma definição, ela estaria no Artigo 2 (Definições).
De acordo com essa afirmação:

Se uma pessoa tem impedimentos...
Ela é uma pessoa...
... de natureza física
... com deficiência física
... de natureza mental (saúde mental)
... com deficiência psicossocial
... de natureza intelectual
... com deficiência intelectual
... de natureza sensorial (auditiva)
... com deficiência auditiva
... de natureza sensorial (visual)
... com deficiência visual


A inserção do tema “deficiência psicossocial” representa uma histórica vitória da luta de pessoas com deficiência psicossocial, familiares, amigos, usuários e trabalhadores da saúde mental, provedores de serviços de reabilitação física ou profissional, pesquisadores, ativistas do movimento de vida independente e demais pessoas em várias partes do mundo.
Convém salientar que o termo “pessoa com deficiência psicossocial” não é o mesmo que “pessoa com transtorno mental”. Trata-se, isto sim, de “pessoa com sequela de transtorno mental”, uma pessoa cujo quadro psiquiátrico já se estabilizou. Os transtornos mentais mais comuns são: mania, esquizofrenia, depressão, síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo e paranóia. O Dr. João Navajas já dizia em 1997: “Se houver sequelas, essas pessoas poderão se adequar às limitações sem deixar suas atividades do dia a dia, como estudar ou trabalhar” (Sociedade Brasileira de Psiquiatria e Comunidade Terapêutica Dr. Bezerra de Menezes).
Também alunos com certos tipos de transtorno global do desenvolvimento (TGD) poderão, a partir de agora, fazer parte do segmento das pessoas com deficiência e beneficiar-se das medidas asseguradas na CDPD. Alguns desses tipos são: síndrome de Rett, síndrome de Asperger, psicose (http://lucimaramaia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=15&Itemid=8) e autismo (“Autismo: inserção social é possível?”, Cinthia Pascueto, Jornal da UFRJ, ed. n. 200, 24/4/03). 
Em documentos a respeito da CDPD, a ONU usa o termo “deficiência psicossocial” ao comentar os impedimentos de natureza mental, ou seja, relativa à saúde mental. Um desses documentos produzidos pela ONU é o PowerPoint que explica o conteúdo da CDPD (Secretariado da ONU para a CDPD: www.un.org/disabilities).
O documento “The United Nations Convention on the Rights of Persons with Disabilities: Towards a Unified Field Theory of Disability”, de 22 páginas, ― que originalmente foi uma palestra ministrada em 10/10/09 pelo prof. Gerard Quinn ― é todo dedicado a traçar a trajetória de dois campos, o das deficiências e o da saúde mental, que se desenvolveram paralelamente no passado, mas que foram juntados em igualdade de condições no contexto da CDPD. Gerard Quinn é Diretor do Centro de Lei e Política da Deficiência, da Universidade Nacional da Irlanda (www.nuigalway.ie/cdlp).
Desta forma, pela primeira vez na história dos direitos humanos, pessoas do campo da saúde mental e pessoas do campo das deficiências trabalharam em torno do mesmo objetivo ― a elaboração da CDPD. Ao cabo de quatro anos, reconhecendo que a sequela de um transtorno mental constitui uma categoria de deficiência, elas a colocaram como deficiência psicossocial junto às tradicionais deficiências (física, intelectual, auditiva e visual).
Com a ratificação da CDPD por um crescente número de países-membros da ONU, estabelece-se uma ótima perspectiva para profundas mudanças nos procedimentos destes dois campos. Pois, mais de 40% dos países ainda não possuem políticas públicas para pessoas com deficiência psicossocial e mais de 30% dos países não possuem programas de saúde mental. Em todo o mundo, mais de 400 milhões de pessoas têm algum tipo de transtorno mental, conforme a Organização Mundial de Saúde. No Brasil, são 3 milhões de pessoas com transtornos mentais graves (esquizofrenia e transtorno bipolar), mas considerando os tipos menos severos (depressão, ansiedade e transtorno de ajustamento), cerca de 23 milhões de pessoas necessitam de algum tipo de atendimento em saúde mental. Acontece que em nosso país há somente 1.513 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2& idnot=7154, 29/6/2010).
.
Grupos de apoio: PcDP
O termo “pessoa com deficiência psicossocial” (PcDP) é relativamente novo, quase contemporâneo do nome anterior, “pessoa com deficiência psiquiátrica”. Mas, estas pessoas já se organizavam em grupos de autoajuda na década de 50, quando eram chamadas “ex-pacientes psiquiátricos”. Na década de 80, consideravam-se “sobreviventes da saúde mental” (ou “sobreviventes da psiquiatria”) e começaram a se chamar “deficientes psiquiátricos”.
De acordo com um estudo feito nos EUA em 1958 pela Joint Commission on Mental Illness and Health (JCMIH), já havia naquele ano mais de 70 organizações de “ex-pacientes psiquiátricos” em 26 estados, sendo 14 na Califórnia. A organização Recovery, Inc. tinha 250 pequenos grupos em 20 estados, totalizando 4.000 membros. Inicialmente, as pessoas se reuniam interessadas em relacionamentos sociais e troca de histórias de vida (“Action for Mental Health”, JCMIH, 1961, p.186-187).
As reuniões eram informais, coordenadas por uma pessoa com deficiência psicossocial ou por um consultor voluntário. O local era geralmente um hospital, clínica ou escritório de órgão público. Em 1989, 1991 e 1996, tive a oportunidade de participar dessas reuniões na Families and Friends Alliance for the Mentally Ill (Aliança de Famílias e Amigos de Pessoas com Transtorno Mental), um grupo que se reunia no Centro de Saúde Mental Acadiana, em Lafayette, Louisiana, EUA.
Hoje, as PcDP que lideram organizações e grupos de apoio são consideradas ativistas ou autodefensoras e lutam pelos seus direitos. Na Colômbia, o projeto “Reconhecimento da Capacidade Jurídica das Pessoas com Deficiências Intelectual e Psicossocial”, é executado pelas organizações Asdown e Fundamental Colombia, que reúnem pessoas com deficiência psicossocial (http://www.riadis.net/riadis-em-acao-15/inicia-se-execuccedilatildeo-e-seguimento-dos-micr/).
.Para saber mais:

Asoc. Cántabra para la Rehabilitación Psicosocial
www.acarp.org
Assoc. Bras. de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos
www.abrata.com.br
Assoc. Bras. de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo Compulsivo
www.astoc.org.br
Assoc. dos Familiares, Amigos e Portadores dos Transtornos de Ansiedade
www.aporta.org.br
Assoc. Nacional Pró Saúde Mental (Projeto Fênix)
http://www.fenix.org.br/conteudo/material.htm

Rede Voz Pro Salud Mental 
http://portal.vozprosaludmental.org.mx
World Fellowship for Schizophrenia and Allied Disorders 
www.world-schizophrenia.org

ROMEU KAZUMI SASSAKI

Consultor de Inclusão Social
Email: romeukf@uol.com.br







terça-feira, 24 de maio de 2011

PALESTRA: SEGURANÇA PÚBLICA E CIDADANIA DA PESSOA SURDA.

Amigos,

Irei participar do 4º ENCONTRO LATINO AMERICANO DE DIREITO, SOCIEDADE E CULTURA, no Instituto dos Advogados Brasileiros - IAB http://www.eladisc.org/quemsomos.html  e  http://blog.iladisc.org/    no dia 03/06/11, às 09:15 min, onde falarei sobre Segurança Publica e Cidadania dos Surdos. Informo que este assunto é o tema da minha monografia de conclusão da pós-graduação.
Pretendo expor as dificuldades encontradas pelas pessoas surdas diante dos operadores de segurança pública, abordarei os apectos legais para o exercício da cidadania, Lei de Libras e principalmente abordarei aspectos constitucionais que não são respeitados, e mencionarei possibilidades para que os operadores de segurança pública sejam capacitados e passem a "enxergar" as pessoas surdas.
Bem, face ao exposto, desejo contar com a presença dos amigos (precisa entrar no site e fazer inscrição). Haverá intérprete em LIBRAS.
Conto com o apoio de vocês!

sábado, 23 de abril de 2011

Desenho do Maurício de Souza explicando o autismo.

http://www.youtube.com/watch?v=3lqLNmlh3ZE&feature=related

Link de mídia positiva. Vale a pena ver!

Vídeo a Casa dos Autistas da MTV.

Que triste ver isso! Meu coração está em pedaços! Sangra, dói...


Programa de comédia? Estou procurando a comédia até agora... Só encontrei desrespeito, preconceito e muito, muito desconhecimento.

Ter um filho ou um irmão, alguém da família com autismo não é o fim do mundo, mas é um processo muito doloroso desde a suspeita até a descoberta.

Estas pessoas não sabem o longo processo pelo qual nós pais e principalmente nossos filhos passamos com o diagnóstico do autismo, que por sinal é muito difícil, inclusive a busca por melhoria na qualidade de vida dos nossos filhos.

As estereotipias “tão bem representadas” nestas tristes cenas são dolorosas para quem convive com o autismo. Cada soco que meu filho dá na barriga dele mesmo é uma dor insuportável em mim e eu não posso fazer nada naquele momento, a não ser pegar a sua mão e beijar pedindo para que ele não faça isso com ele mesmo. Ver isso representado de forma pejorativa em um programa de humor, como se isso fosse uma piada é demais! Que absurdo!

Penso que um programa qualquer que seja, precisa abordar a realidade de forma a elucidar dúvidas, questionamentos e principalmente servir de veículo de informação e formação. O canal em questão, MTV, tem como público alvo adolescentes e jovens que estão em fase de formação e poderia ter utilizado de melhor forma o poder que tem nas mãos, a exemplo do Maurício de Souza, que utiliza os seus desenhos para trabalhar a inclusão (inclusive um vídeo sobre autismo que é lindo!)

Não podemos achar que tudo é possível devido a liberdade de expressão, pois liberdade de expressão exige consciência e responsabilidade!

Somos dois milhões de pessoas desrespeitadas! Sim, este é o número de autista em nosso país! Não podemos nos calar diante desta aberração cometida por esta emissora a título de humor.

Acabamos de mobilizar milhares de pessoas e ações face o dia 2 de abril que foi o dia acordado pela ONU para a conscientização sobre o autismo, onde conseguimos maravilhas, atitudes emblemáticas para a conscientização do autismo, como por exemplo o Cristo Redentor em azul, a Ponte Estaida em São Paulo, a caminhada na orla do Rio de Janeiro, onde tive a felicidade de participar com meu filho e meu marido e vários movimentos por todo Brasil e no mundo, para agora assistirmos a isso? Não! Vamos reagir! Precisamos mostrar a nossa indignação!

Vamos utilizar a Convenção da ONU Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro em 2008, como único documento internacional com força de norma constitucional.

Esta Convenção tem com princípio geral nunca discriminar, a aceitação das pessoas com deficiência e o respeito por sua diferença como parte da diversidade humana, dentre outros.

Tem também como obrigação geral TOMAR MEDIDAS NECESSÁRIAS PARA PROIBIR E ELIMINAR A DISCRIMINAÇÃO CONTRA AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA e também PRESERVAR OS DIREITOS HUMANOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM TODOS OS PROGRAMAS E POLÍTICAS PÚBLICAS.

Vamos reagir!

Vamos mostrar a nossa indignação!

Conto com todos!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Diferenças.

       Muito provavelmente, já ouvimos a seguinte afirmação: “Os dedos das mãos não são iguais aos dos pés.” É, realmente eles não são iguais mas mesmo assim fazem parte do mesmo corpo.

       De posse desta afirmação, faço analogia as pessoas que também diferem umas das outras e mesmo assim, com estas diferenças, TODAS são possuidoras dos mesmo direitos e deveres.

       Então, aproveito para provocar uma reflexão com a seguinte pergunta:

       Se TODOS (TODOS está propositalmente colocado com letras maiúsculas para dar a real dimensão da amplitude desta palavra, como explica a autora Cláudia Werneck) possuímos conhecimentos suficientes para sabermos que somos TODOS diferentes e que mesmo com estas diferenças (que por sinal é muito saudável), TODOS são possuidores dos mesmos direitos e também dos mesmos deveres, porque então não tratamos os deficientes igualmente?

      Utilizo esta pergunta para aproveitar dos sábios ensinamentos do grande jurista Ruy Barbosa quando este explicou que nós devemos tratar desigualmente os desiguais a medida que estes se desigualam.

       Oba! Olha aí o equilíbrio da justiça! E olha que a nossa legislação para pessoas com deficiência é considerada uma das melhores do mundo! Se é assim, porque então não funciona?

       Penso eu que é por preconceito, por achar que nunca vai acontecer com a gente ou com alguém próximo. Uma pena! Pessoas que pensam assim são dignas de pena e não os deficientes que são. É triste ver que pessoas não conseguem entender a diversidade e que TODOS fazem parte da mesma condição humana.

       E aí, termino este artigo com o início deste, para que entendamos que TODOS precisam de TODOS e que a vida é cíclica, como brincadeira de roda, onde TODOS devem dar as mãos.

       Muito provavelmente, já ouvimos a seguinte afirmação: “Os dedos das mãos não são iguais aos dos pés.” É, realmente eles não são iguais mas mesmo assim fazem parte do mesmo corpo.

Inclusão Escolar.

    Não tenho a pretensão de ensinar aos professores, como ministrar o conteúdo programático a uma criança com deficiência, mas sim sensibilizá-los quanto a necessidade disto. A ideia é que a inclusão aconteça de fato e de direito.
    Atualmente, encontramos locais onde a integração (percebam que não estou falando nem de inclusão),  acontece apenas pelo fato de ser um direito adquirido, com respaldo legal. Em muitas escolas, apenas pelo medo, pelo poder coercitivo é que acontece a integração e não a inclusão. Muitas vezes, as crianças ficam jogadas dentro de uma sala de aula, em um canto da sala sem nenhum auxílio, quando muito, pedem para alguém (e muitas vezes esta pessoa não é um professor), para ficar ao lado da criança com deficiência e esta postura não é nem com o intuito de educa-la, e sim de não permitir que a criança com deficiência atrapalhe o “bom andamento da aula”, como se as pessoas não fossem eterna fonte de aprendizado. Digo isto, pois particularmente já vivi isto. Meu filho ficava deitado no chão no canto da sala, enquanto seus coleguinhas estavam sentados nas cadeiras fazendo seus trabalhinhos. E sabe quem auxiliava o meu filho? Pasmem! A faxineira! Nada contra esta pessoa que na minha ausência e falta de comprometimento da escola, auxiliava o meu filho na medida do possível. Apenas digo isto, porque não era uma pessoa preparada para tal feito.
   Mas neste contexto afirmo que esta faxineira estava mais preparada para a inclusão do que a própria professora que ignorava o meu filho e transferia a sua obrigação de ensinar a quem quer que seja. Esta faxineira dispensou ao meu filho a possibilidade de inclusão que ela conhecia, pois ela, a faxineira e não a professora tentava ensinar o exercício ao meu filho, bem como o levava para brincar no parquinho com as outras crianças e com que alegria ela me contava e mostrava como o meu filho fazia nestes momentos. Enquanto aquela, a professora, que estudou, que se preparou para tal demanda, sequer percebia o meu filho. Por isso, muito mais que a inclusão como imposição da lei, devemos atentar para a diversidade humana, o aprendizado na diversidade e principalmente, ninguém sabe o dia de amanhã.
  Sei também que existem professoras que são comprometidas com TODAS as crianças e que por isto em algumas escolas a inclusão acontece. Meu muito obrigada a estas professoras e espero que estas se multipliquem.